quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Terminamos os trabalhos!

Olá, estive ausente algum tempo por estarmos trabalhando muito.

Como disse na última postagem, fomos para o seco, no estaleiro, para pintá lo.

Não é somente pintar e pronto, exige um trabalho bem grande, que consiste em primeiramente a raspagem da tinta antiga.

Muitos velejadores e profissionais da área utilizam produtos químicos e lixadeira, nós na Nova Zelandia descobrimos um equipamento maravilhoso para tal serviço.

O “scraper”, apelidado por nós, carinhosamente de raspador. Com o movimento e a inclinação certa é um ótimo aliado. Raspamos durante 6 dias.

(No final deixarei uma foto)

Logo após rasparmos os 50 pés (15 metros) do barco todo, contando que são dois bordos, uma grande quilha corrida, “o apoio do leme – “skeg” e leme. Tudo mesmo, parece pouco, mas nas fotos vocês terão uma ideia melhor.

Assim vamos à segunda parte, que consiste em lavar com água e passar tiner (“thinner”) e depois a pintura do primer a base de epóxi (mastic), que faz a ligação entre a base e a tinta anticraca (antifouling).
Desta vez resolvemos repintar as linhas d’agua, que são na cor azul escura. Para pintá las retas nós utilizamos fitas crepe que colamos de popa à proa. Dá um pequeno trabalho, pois são duas linhas, e olha que o Kanaloa já teve três.

Assim feita a linha d’agua com duas demãos, passamos finalmente, a anticraca no casco. Só tinha na cor vermelha, mas que eu acho que caiu muito bem para o Kanaloa.

Assim passamos tinner nos lugares onde vamos pintar, lembrando que não adianta passar antes e só no dia seguinte pintar, o tinner serve para retirar as impurezas que estão no casco.

Esperamos um dia e pintamos a segunda demão. Nós utilizamos a tinta Jotum 90.

E você pensa que acabou? Ainda temos que lavar todo o barco, e os 13 apoios que estão segurando o Kanaloa? O Sealift levantou o barco e ficamos uma noite em cima para raspar e pintar essas partes. Uma das demãos foi a uma da manhã.

No dia seguinte fomos para água.

Nesse tempo que ficamos no seco, aproveitamos para levar a corrente e a âncora para galvanizar, pois a última galvanização fora em Fiji. Levamos também correntes e âncoras de um barco australiano e de um outro inglês. Dividimos as despesas. Ficamos muito contentes com o resultado, e aproveitamos para passear de Hilux um pouco já que o local de galvanização ficava a 300 quilômetros de Lumut. 

Kanaloa na água, hora de fazermos compras, já que o tempo certo para nossa próxima navegada está chegando. Nas compras nós estocamos tudo, e o quê mais nos auxiliam são as latas. Por aqui chegamos até a encontrar lula e mexilhão em lata, com e sem pimenta!

Ficamos por aqui, e logo faremos novo contato, contando mais novidades.


Bons Ventos, Tripulante Kanaloa.

                       
           
                               Kanaloa sem a tinta antiga!
                                   




O nosso querido "Raspador"


Já com o "primer" e fazendo a segunda demão da linha d'agua


Mistrurando a tinta

Primeira demão da AntiCraca



Começando os trabalhos nos apoios


Raspando os apoios





Kanaloa finalmente pronto!


Kanaloa indo para à agua!


























terça-feira, 5 de julho de 2016

Kanaloa em terra!

Nesta semana fizemos uma travessia de 18 horas. Zarpamos de Penang logo após o almoço, e iniciamos os turnos apenas às 22:00, o suficiente para que todos descansassem um pouco.

Foi uma navegada com muitos barcos pesqueiros, principalmente. Tivemos que ficar atentos, durante o tempo todo, fazendo constantes ziguezagues até o estaleiro em Lumut.

Pretendemos ficar por aqui 20 dias. Como são dias “marítimos”, isto é mais ou menos 1,852 vezes isso, portanto: 37 dias. Essa é a diferença entre o desejo e a realidade.

Às dez e meia iniciamos a subida. Diferentemente do usual Travel Lift que percorre sobre uma calha guia e que utiliza cintas para suspender o barco e depois transportá-lo, o sistema aqui é com o Sealift. A máquina motorizada entra na água como as conhecidas carretas, encaixa-se no fundo do barco, suspende um pouco e sobe pela rampa carregando-o até o local de trabalho.

A movimentação da máquina é conduzida por um operador que caminha próximo com um controle remoto.

A tarde toda foi gasta com a instalação dos apoios que são presos ao solo com pitões e ligados aos pares com uma cinta. Foram utilizados onze apoios. Tudo muito seguro. Gostamos.

Então amanhã começaremos.

Vamos retirar a tinta antiga, que foi posta em junho de 2015. Na Nova Zelândia, porém, não tinha a tinta com o grau que gostaríamos, então não durou tanto. Era um grau 30 e queríamos a de 90. Após apenas oito meses o casco estava dando muito trabalho devido ao desgaste da tinta aplicada. De quinze em quinze dias meu avô tinha que mergulhar e limpar tudo. Chegando na Malásia compramos um compressor de mergulho, o que foi um grande alivio. Instalamos quatro filtros nele e foi um investimento que valeu! Por que, quem tem barco sabe como é trabalhoso e cansativo limpar o casco todo (hélice, leme, skeg, quilha, ânodos, saídas e entradas d’água) com apenas o fôlego num barco de 50 pés (15m).

Agora que estamos no seco, é até incomodo para nós. Estamos acostumados com o balanço do mar, e até ficar atracado é uma sensação diferente.

Então vamos começar os trabalhos, que ainda haverá muita coisa pela frente.


Temos que deixar o Kanaloa pronto para as travessias que ainda virão.

A seguir fotos da Malásia e da Nova Zelândia.

Bons ventos, Jacqueline, Tripulante Kanaloa.
  
                                         Travel Lift na Nova Zelândia
                                   

                                          Sistema utiliza cintas!


SeaLift


SeaLift


                                                                SeaLift

O operador:


Kanaloa em terra:


SeaLift:


Deu um friozinho na barriga:


O controle do SeaLift


O operador por trás da máquina:


SeaLift:
                                                       
                                                                Kanaloa com apois em terra:

                                                         Kanaloa pronto para começar os trabalhos:

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Sumatra

Estamos na Malásia há algum tempo. Demoramos cerca de 4 dias da Tailândia até aqui. Apesar de ser uma navegação de apenas 156 milhas demoramos todo esse tempo pois durante a noite tem a presença de muitos pescadores e redes. Por causa disso todos os velejadores fazem apenas navegações diurnas.  Até os governos de ambos os países sabem que normalmente todos demoram cerca de 7 a 10 dias nesta travessia. 

Na Tailândia estava muito calor, mas aqui na Malásia parece que é mais ainda, quase todos os dias o termômetro chega a 34,5 graus.

A ventilação do barco é feita por gaiutas, vigias e pela escotilha que dá acesso ao “cockpit”. As vigias, porém, estão fechadas com placas de policarbonato há mais de um ano devido ao mar mais pesado por onde temos navegado.

Nesse vídeo dá para vocês terem a ideia melhor de como são fechadas as vigias.

video


Devido ao calor na Malásia resolvemos abrir essas vigias, e foi um alívio enorme.

Passaram-se alguns dias, ancorados em Langkawi, quando inesperadamente ocorreu o que já temíamos:...apareceu o Sumatra. Uma pancada de chuva, vento, ondas e trovoada. Foi um corre-corre atrás das placas de policarbonato, e fechar gaiutas além de ter que recolher a tolda. Tudo ao mesmo tempo. Barcos garrando (arrastando a âncora) e um deles foi parar nas rochas.

Sumatra é uma grande ilha pertencente a Indonésia e que se situa à oeste do estreito de Málaca, que separa a Indonésia da Tailândia e também da Malásia e de onde vêm essas tormentas fortes, mas de curta duração. Não mais do que duas horas.

Depois de alguns minutos, conseguimos recolher a tolda, fechar as gaiutas e colocar algumas placas nas vigias. Porém foi difícil, pois as placas são presas por seis parafusos, arruelas e borboletas. Então tivemos que improvisar. Colocamos sacos plásticos e panos nas vigias para não molhar mais do que já estava molhado.

Voltamos a retirar as placas novamente, pois o calor aqui é demais.

Alguns velejadores, quando se inicia uma trovoada, retiram alguns eletrônicos e os colocam numa Gaiola de Faraday de fortuna, que é o forno de cozinha. Nós, em nosso Kanaloa, estamos protegidos como tudo aqui dentro, por ser de aço e, por isso ele também é todo aterrado por natureza e também funciona como uma perfeita Gaiola de Faraday.

Por aqui tudo está tranquilo, estamos trabalhando no barco, esmerilhando e pintando alguns pontos.
Em pouco tempo iremos partir de Langkawi (Malásia) e zarparemos para uma nova ancoragem. Não vou deixá-los sem notícias.

                               

                                          Aqui tem trabalho também!


Até breve.

Jacqueline - Tripulante Kanaloa


terça-feira, 10 de maio de 2016

Papua Nova Guiné

Vou contar hoje um pouco sobre Papua Nova Guiné, ou como carinhosamente nós a chamamos: “ Papua”.

Zarpamos de Vanuatu e depois de 11 dias de uma excelente navegada, com ventos de alheta de boreste e mar empopado com ondas que não passaram de 2,5 m, chegamos em Papua Nova Guiné.
Baixamos as velas, ancoramos na baía,  e preparamos o dingue (nosso bote inflável) e nos dirigimos para a marina a fim de dar entrada na papelada e lá atracar o barco pois, pelos relatos, “Papua” não era um lugar totalmente seguro para um barco fundeado naquela área.
Fomos muito bem atendidos pelas secretárias que já agendaram uma visita dos agentes federais para legalização nossa e do barco no país. Em vinte minutos o pequeno barco auxiliar da marina já estava na proa do Kanaloa esperando para nos indicar o caminho de entrada da marina ziguezagueando entre os muitos baixios existentes.

Logo que fomos recolhendo a âncora percebemos que estava bem pesada, fazendo bastante força no guincho. Vimos que havia uma pedra enorme nela - com um pouco de esforço retiramos e prosseguimos.

Providenciada a primeira parte da documentação fomos tomar um refresco no restaurante da marina. A marina era bem estruturada, tinha bar, um enorme restaurante, academia e até palco. Foi a primeira e última vez que pagamos algo nesse restaurante. Os amigos que fizemos em Papua não nos deixaram pagar mais nada durante nossa estada.

No dia seguinte fizemos a “papelada”, com os agentes, os quais nos levaram até o aeroporto para fazer a “Imigração”.  Eles foram super solícitos, e já aproveitamos para ficar de olho no novo local! O que nos intrigou foi que o aeroporto era de primeira. Fora construído para receber as delegações dos XV Pacific Games. Tudo muito limpo, tecnologia de ponta, porém não havia ninguém além de nós e os funcionários. Voltando para a marina começamos a reparar que o povo de Papua era bem simples, e ao lado um aeroporto de primeira qualidade sem ter ninguém. Foi um choque!
No dia seguinte, no mercado, que as meninas da recepção nos indicaram, reparamos que as pessoas, homens e mulheres, tinham a boca vermelha, como se fosse sangue, não só as pessoas na rua como também os atendentes das lojas... praticamente todos. Alguns dias depois que fizemos algumas amizades, Anitta nos contou que eles mascam "buai" (noz de areca) , e que é muito comum, quem a consome, ter câncer na boca.

Em “Papua” existem mais de 800 línguas nativas! São 833 segundo os dados oficiais de uma agente de saúde. E que há muitas rixas entre os povoados das montanhas (Highlands). No dia de nossa chegada, na mesma noite, um segurança do local foi morto a facadas por 15 pessoas de outro povoado.  Ficamos bem assustados com a notícia, mas Shelly, mãe de duas adoráveis meninas, Penny e Abigail, nos contou que é muito comum esses atos de ódio em “Papua”, e que ela tem que andar atenta na rua pois a criminalidade é muito alta por lá.

Aproveitamos bastante “Papua”, fomos a parques e artesanatos; conhecemos pessoas adoráveis. Por diversas vezes saímos juntos, o que nos deixou uma grande lembrança de “Papua” e até hoje mantemos contato pela internet.

Nós iriamos partir no dia 15 de setembro mas, fomos convidados a ficar mais dois dias, para as comemorações dos 37 anos do “Independence Day” em 16 de setembro.
No dia da festa, houve danças, artesanato e concursos de trajes típicos e pintura corporal do país, que pudemos acompanhar tudo de perto.

 Em tempo: Chegamos na Malásia hoje(10 de maio de 2016) de uma bela navegada desde a Tailândia. Logo sairemos para fazer os papéis.

E agora vou compartilhar as fotos com vocês, espero que gostem!


                                             Companheira de travessia


Peixe na mão



                                                          Peixe na panela